
Por Tiago Haka
Na coluna DILEMA DE JOVEM de hoje, você vai conhecer o testemunho do jovem Hugo Francisco (nome fictício), que deixou a excitação do perigo falar mais alto que a razão e infelizmente se contaminou pelo vírus da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).
O jovem Hugo, um sujeito alto, de olhos castanhos, porte atlético e de muito bom aspecto. Um homem de grande autoconfiança e extrovertido, ele não teve nenhuma dificuldade de arrumar uma porção de companheiros de cama. Estudante, 25 anos, Hugo vivia na casa de seus pais, num condomínio residencial em Brasília, levando uma vida inteiramente convencional de um homem jovem. Ele procurou o hospital em fevereiro de 2008 porque sentia dificuldades em respirar e o peito parecia estar “oprimido”.
“Eles me internaram na mesma hora e, depois de fazerem uma porção de exames, me contaram que eu estava com AIDS. Fiquei extremamente chocado e surpreso. Eu já tinha feito teste para anticorpos contra o vírus da AIDS por duas vezes e em ambos os resultados haviam sido negativos. Hugo Francisco resolveu na mesma hora que precisava contar para os seus pais. Os médicos e as enfermeiras disseram que se ele quisesse dariam a notícia aos velhos e até que, se ele assim decidisse, não precisaria contar nada. Mas Hugo Francisco achou que eles precisavam saber e que ele mesmo devia dar a notícia. ”Eu tinha ensaiado a manhã inteira a cena, falei para eles que eu estava com AIDS e que pedia desculpas a eles por deixá-los numa situação que certamente seria muito penosa para os dois”. “Minha mãe continuou conversando comigo, mas papai virou a cara para o outro lado e vi, pelo espelho, que ele estava chorando. Nunca havia o visto chorando antes – fiquei arrasado. Mamãe também começou a chorar. Achei melhor mandar os dois embora do quarto, já que estavam tão abalados, e aí eu caí também em prantos. Que coisa horrível! Todas as dores que eu estava sofrendo não eram nada frente ao que meus pais estavam sofrendo.”
Hugo não entende porque contraiu a doença. Nunca foi promíscuo como alguns de seus amigos, a não ser quando assumiu a homossexualidade, lá pelos seus 19 anos. Nessa época, andou tendo em algumas fases dois ou três parceiros diferentes por semana (em algumas vezes sem camisinha).
Hugo nunca mais foi promíscuo, e seis meses antes de ser diagnosticado como soro positivo havia notado uma falta total de interesse sexual –— um fato comum nas fases iniciais da doença. “Agora estou completamente casto”, brinca Hugo.
O rapaz esta resignado com sua doença. Além do mais, ele não acha válido ficar se culpando ou surtando a respeito de coisas sobre as quais ele não tem nenhuma possibilidade de ação. “Não quero estragar os meus últimos dias de vida me lamentando”. Atualmente o jovem Hugo está frequentando a igreja Assembleia de Deus, toma regularmente os remédios contra o vírus da AIDS e tenta manter novamente uma vida normal.
* O nome é fictício em respeito ao jovem entrevistado.